2.390 alunos migram da escola particular para a pública no Espírito Santo
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Quando as vendas do cobrador de móveis Agnaldo Gomes Pinto, 38, caíram no final do ano passado, foi preciso conversar com as filhas sobre uma mudança importante na vida delas. Desde os três anos frequentando a mesma escola particular em Itacibá, Cariacica, Ana Carolina e Dayane Macarineli, de 12 e 16 anos, vão trocar os colegas e professores. As irmãs Macarineli são apenas duas dos 2.390 estudantes que deixaram a escola particular em busca de uma vaga no ensino público em 2016.
“No início foi difícil elas aceitarem. Mas a gente fez as contas e tudo está mais caro. Manter duas em uma escola particular pesou no bolso”, declarou a mãe Diana Pereira, 38, que acredita economizar em média R$1 mil com a mudança.
A quantidade de inscrições deste ano é quase o total do número do ano passado, quando 3 mil alunos, incluindo de institutos federais, pediram transferência. Entre os motivos da mudança, está o corte de gastos dentro das casas. “Não há dúvidas que a crise econômica do país favorece a migração de estudantes para escolas públicas”, analisa o professor e economista Mário Vasconcelos.
Para ele, esta é uma tendência que começou em meados de 2015. “Os pais precisam cortar gastos e uma das alternativas é na escola. Não é só o custo da mensalidade, tem taxa de matrícula, material escolar, transporte e alimentação. Se colocarmos na ponta do lápis, a economia é grande”, explicou.
Dos 2.390 alunos de escolas particulares, que solicitaram mudança para a escola pública, 1.876 são da Grande Vitória e outros 514 do interior do Estado. Eles representam aproximadamente 57% das inscrições no ensino público neste ano, que teve registro de 4.563 novos estudantes. “Vivemos um momento de fragilidade econômica, há casos de pais que perderam emprego e tiveram que cortar gastos. A escola particular é uma das alternativas, que é cara”, declarou o secretário de Estado de Educação Haroldo Corrêa Rocha.
Qualidade
Para o secretário, os números apontam também uma nova forma de se enxergar o ensino público. “Há muitas instituições públicas de tradição que oferecem um ensino bem semelhante ao das particulares, só que de graça. Os pais têm visto qualidade nas escolas do Estado”, comentou.
Este foi um dos motivos que levou a funcionária pública Cristiane Rosa Nascimento, 36 anos, a transferir a filha Evellyn Kimberly do Nascimento Werneck, 14, para uma escola pública. A adolescente vai ter uma nova experiência este ano, depois de quase dez anos no ensino particular. “Fiz pesquisas, conversei com alguns amigos pedagogos e resolvi experimentar esse novo modelo de escola em período integral. Conheci de perto a estrutura e não deixa nada a desejar em relação a antiga escola dela. Sem falar na economia que vai ser vista durante o ano”, declarou.
A qualidade da educação também é uma das preocupações de Diana na hora de matricular as filhas. “Estamos em um momento de adaptações financeiras e é preciso buscar alternativas, sem deixar a qualidade de lado. Já tive boas referências de algumas escolas públicas e acho que minhas filhas vão se dar bem nelas”, concluiu.
Análise
Migração escolar é tendência na crise
“Em meados do ano passado já se apontava a tendência de migração de muitos estudantes para escolas públicas. Mesmo que algumas famílias busquem outras justificativas, não tenho dúvidas que a crise é a responsável por estas mudanças. A implantação de escolas de tempo integral tem favorecido esta migração, pois muitos pais veem uma melhora na qualidade do ensino. Ainda vemos um pouco de preconceito em relação às escolas públicas, mas os pais acabam deixando de lado, porque eles precisam cortar gastos. Se colocarmos na ponta do lápis, a economia é muito grande, principalmente para aqueles que têm mais de um filho na escola particular. É um dinheiro que você economiza e pode ser investido futuramente em uma universidade, um curso fora”
Mário Vasconcelos, professor e economista
Dados da Secretaria de Educação
2015
Transferências
3 mil estudantes pediram transferência para escolas públicas no ano passado. A secretaria de Educação não tem os dados separados dos alunos provenientes de escolas particulares, institutos federais e/ou outros lugares.
2016
Total
4.563 estudantes se inscreveram para vagas nas escolas públicas do Estado.
Escolas particulares
Destes, 2.390 estão deixando colégios particulares.
Grande Vitória
1.876 são alunos que estudavam em redes particulares da Grande Vitória.
Interior do Estado
514 são estudantes de escolas particulares do interior do Espírito Santo.
Do exterior
Das inscrições, 27 são de estudantes de fora do país.
Institutos federais
40 alunos que pediram transferência vieram de institutos federais.
Outros
2.106 estudantes apresentaram outros motivos para transferência.
Fonte: Gazeta Online

 

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