Governo amplia prazo para pagar consignado
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O prazo para pagamento de empréstimos consignados aumentou para os servidores ativos e inativos do governo do Estado. A exemplo do que foi feito em outros Estados, como a Prefeitura do Rio de Janeiro e o governo de São Paulo, onde os prazos subiram de seis para 10 anos e de cinco para oito anos, respectivamente, os servidores do Espírito Santo vão poder pagar suas dívidas em até 6 anos – antes o prazo era de quatro.
Seguindo o governo federal, o percentual descontado com empréstimos no Estado permaneceu com o limite de 35%, sendo que, desse valor, 5% deve ser destinado exclusivamente para amortizar despesas com cartão de crédito ou débito.
Enquanto paulistas e cariocas colocam a culpa na crise, em uma tentativa de socorrer servidores públicos endividados, a subsecretária de Administração de Pessoal da Secretaria de Estado de Gestão e Recursos Humanos (Seger), Sandra Helena Bellon, não fala sobre economia. “A ampliação do prazo possibilita a redução das parcelas mensais e aumenta o acesso dos servidores ao empréstimo consignado”, disse ela.
De acordo com a Seger, podem fazer empréstimo consignado os servidores, civis e militares, ativos, inativos, ou pensionistas do Poder Executivo do Estado, somando um universo de cerca de 70 mil pessoas.
As operações de empréstimo pessoal, explicou Sandra, têm suas taxas máximas fixadas e revisadas nos limites definidos pelo Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS), do INSS. Ou seja, para empréstimo pessoal, o percentual máximo é de 2,34%, e para empréstimos feitos pelo cartão de crédito, a taxa limite é de 3,36%.
Bom e ruim
Para Haylson de Oliveira, presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Servidores Públicos no Estado (Sindipúblicos), a medida é boa num primeiro momento, mas tende a ser ruim para os servidores em longo prazo. Ele conta que, assim como muitos servidores, também usa o crédito consignado.
“São poucos servidores que não têm empréstimos. Essa ampliação é boa porque ajuda o servidor que está desesperado. Mas, a longo prazo, vira uma bola de neve. O que leva o servidor a recorrer a esse mecanismo é o arrocho salarial. Como em 2015 o governo não deu aumento, ele criou esse mecanismo para compensar. Mas vai estender para mais longe a dívida. Se num primeiro momento desafoga, é uma bola de neve. Com a alta dos juros, o servidor vai perder mais uma vez”, diz ele.
Ele contou que fez o que a maioria dos servidores faz: trocou a dívida do cartão de crédito pelo consignado. “Comprei uma dívida mais barata. Mas não renegociei o prazo. Não quero ficar eternamente no sistema financeiro”.
Empréstimo usado para pagar dívida
Ampliar o prazo para pagamento dos empréstimos pode ser um alívio para muita gente que está com a corda no pescoço. Mas o alerta é para o risco de armadilha financeira no orçamento doméstico.
“É preciso ter em mente o montante de juros que vai pagar a mais. Muita gente não consegue entender os juros como despesa. Eles acabam repercutindo como um item no orçamento”, diz Eduardo Araújo, presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon).
Mas, quando vale a pena pegar o crédito consignado? “Muitas pessoas no país hoje estão endividadas com base no cartão de crédito. Para exemplificar, em um banco do Estado, a taxa mensal de juros do cartão é 7,28%. No consignado, 1,84% ao mês. Se a pessoa pega R$ 2 mil, em um ano ela paga juros de R$ 2.340 no cartão e R$ 489,60 no consignado. A diferença é significativa. Só vale a pena se for para trocar por uma dívida cara por outra barata”, explica Araújo.
Como organizar as finanças
Dívidas
Se a pessoa está muito endividada, é preciso observar as taxas de juros de cada dívida e trocar a dívida cara pela mais barata, com juros mais baixos.
Orçamento
Se programar para fazer um orçamento doméstico é o primeiro passo para organizar as contas. Nesse orçamento, é preciso fazer com que se tenha pelo menos 30% de sobra. Ou seja, se o salário é R$ 2 mil, as despesas têm de ser dimensionadas para, no máximo, R$ 1.400, em torno de 30% menos. É preciso colocar todas as despesas no papel.
Poupança
Guardar 30% do salário todo mês permite fazer uma economia para realizar sonhos no futuro, como adquirir uma casa, um carro ou fazer uma viagem.
Ajustes
Se o salário mensal é de R$ 2 mil e o gasto mensal é de R$ 2 mil, o farol amarelo já está aceso. Se você gasta a mais, o sinal é vermelho. Nos dois casos, é preciso cortar despesas.
Como cortar?
Primeiro, o corte deve ser nos supérfluos. Reduzir o número de contas bancárias e dos cartões, que cobram anuidades. Renegociar despesas como um contrato de aluguel ou ir de ônibus para o trabalho, ao invés de usar o carro, já garantem economia.
Menos compras
Cortar compras que vão no cartão de crédito requer mudança de comportamento para não comprar por impulso.
Reavaliar
Se ainda assim o orçamento não está suportando, é preciso encontrar formas de aumentar a renda ou reavaliar o padrão de vida.
Ajuda
Se a luz no fim do túnel não aparecer, a alternativa é procurar um economista para orientação.
Fonte: Eduardo Araújo, presidente do Corecon
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