Greve de policiais se arrasta, chega a 18 dias e insegurança continua
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Nesta terça-feira (21) completam-se 18 dias da greve dos policiais militares e, apesar do retorno de alguns ao trabalho, a situação está distante da normalidade. Até às 16h de ontem, 177 pessoas haviam sido assassinadas. E uma nova proposta de acordo, feita pelos familiares dos PMs, foi descartada pelo Estado, que foi taxativo: “As negociações só serão retomadas quando as portas dos quartéis forem totalmente liberadas”.

O argumento foi de que a proposta feita pelas famílias causaria um impacto de R$ 330 milhões aos cofres estaduais e que não há recursos. E mais, que já tinham recusado outras duas tentativas de negociação.

Enquanto isso, o governo tem apostado em uma estratégia denominada “chamado operacional”. Foi instituído no último dia 11, pelo comandante da corporação, coronel Nylton Rodrigues, que determinou que a apresentação dos policiais para o trabalho ocorra fora dos batalhões. Em paralelo anunciou a punição para 1.151 militares.

Desde então, grupos têm se apresentado para trabalhar e vão para o policiamento ostensivo nas ruas, a pé, ou com o apoio de algumas viaturas e motos. Ontem foram 175 viaturas e motos circulando pela manhã e 202 à tarde – o que equivale a pouco mais de duas para cada município, em média –, com 2.473 policiais.

Mas o governo não informa como eles estão distribuídos por turnos, em quais horários ou escalas. Nem mesmo em que cidades fazem o policiamento. A última informação, não confirmada ontem, era de que entre meia-noite e 8h do dia seguinte as ruas ficam sem PMs.

A segurança precisa ser garantida pelas tropas federais: Forças Armadas e Força Nacional, com quase 2.400 homens, que também atuam em turnos. A concentração do policiamento, durante o dia, tem sido nas grandes avenidas, centros comerciais e terminais de ônibus. O Comando da Operação Capixaba garante que tem se esforçado para que sua equipe chegue ao interior e a outros bairros da Grande Vitória.

Mas a população anda se ressentindo da falta de segurança. Fato constatado pela reportagem de A GAZETA durante a tarde de ontem ao percorrer várias cidades da Grande Vitória. Poucos militares das tropas federais foram vistos nos centros comerciais e de maior movimento.

PMs então, foram mais raros. Os poucos encontrados andavam a pé, em grupos, por estarem sem viaturas. Em Vila Velha, um ponto onde costuma ficar uma viatura, na Avenida Champagnat, estava vazio. Os comerciantes reclamam da falta de segurança e alegam que já a partir das 13h os poucos policiais que circulam desaparecem. A situação fica ainda mais complicada nas periferias. Locais que já não contavam com policiamento, nem mesmo das tropas federais, e que ainda continuam abandonados.

O governo também não informa, com detalhes, quantos policiais ainda estão aquartelados, mesmo com o pequeno número de familiares que ainda se encontra diante dos batalhões. Diz apenas que o policiamento ostensivo está próximo do usual no Estado, que seria em torno de 2.500 homens, com 270 viaturas. Mas a PM possui um efetivo de mais de 10 mil homens. Onde estariam os outros oito mil que ainda não se apresentaram para o trabalho?

A mesma insegurança sentida pela população levou prefeitos de 29 cidades a cancelarem a programação de carnaval e outras seis analisam se adotam a mesma atitude. Num período que sempre demanda mais atenção, com a ausência dos policiais, temem pelo que pode acontecer nas ruas.

No último domingo, em Jardim da Penha, Vitória, grupos se reuniram sem autorização municipal na Avenida Anísio Fernandes Coelho, fechando a via com carros de som e, em seguida, migraram para a Rua da Lama. Apesar das reclamações dos moradores sobre o barulho intenso, o Disque-Silêncio não pôde ir ao local devido a grande multidão e à falta de policiamento. Quem mora na região também relata o uso de drogas e o forte cheiro de urina deixado no local.

Voltando ao trabalho

“Chamado operacional”

11 de fevereiro

PMs - 600

Viaturas - Não informado

12 de fevereiro

PMs - 1.236

Viaturas - 59 (todo o dia)

13 de fevereiro

PMs - 1.743

Viaturas - 81 (todo o dia)

14 de fevereiro

PMs - 2.351

Viaturas - 157

15 de fevereiro

PMs - 2.417

Viaturas - 240

16 de fevereiro

PMs - 2.478

Viaturas - 249

17 de fevereiro

PMs - 2.487

Viaturas - 164, incluindo motos, pela manhã, e 159 à tarde

18 de fevereiro

PMs - 2.482

Viaturas - 337

19 de fevereiro

PMs - 2.462

Viaturas - 147 pela manhã e 147 a tarde

20 de fevereiro

PMs - 2.473

Viaturas - 175, com motos, pela manhã e 202 à tarde

Fonte: Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp)

O outro lado

175 viaturas de manhã e 202 à tarde

A Secretaria de Estado da Segurança (Sesp) se limitou a informar que “2.473 policiais militares atenderam ao chamado operacional feito pelo comando geral da PMES”, ontem. Diz que, “num dia normal, sem paralisação, o Estado conta com efetivo diário que chega a 2.500 PMs. O policiamento ostensivo contou com 175 viaturas e motos circulando pela manhã e 202 circulando à tarde. Num dia normal, sem paralisação, o Estado conta com 270 viaturas por turno de serviço.”

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