Lei que proíbe sal em restaurantes faz 1 ano e consumo diminui no ES
NOTÍCIAS
A lei que proíbe o sal nas mesas de bares, restaurantes e lanchonetes do Espírito Santo completa um ano neste mês. Os comerciantes perceberam uma diminuição no consumo de sachês do produto, mas eles ainda divergem sobre a proibição.
 
A professora Patrícia Oliveira ainda acredita que o sal deveria continuar na mesa, já que cada um tem o seu gosto. “Eu acho que deve ter na mesa, porque você vai colocar a quantidade que você acha necessária”, opinou.
 
Já o filho dela, José de Souza Neto, acha que o sal não interfere tanto no seu paladar.  “Para mim não faz muita diferença, porque eu não ligo muito para o sal”, disse o estudante.
 
A bancária Laiza Thompson só pode o sal quado acha necessário. “Eu acabo pedindo o sal quando eu saio para comer uma refeição como um filé com fritas, por exemplo. Pizza não precisa, churrasco não precisa”, disse.
A servidora pública Michele Santana almoça em restaurantes durante a semana e diz que a lei ajudou na diminuição do consumo do produto.
 
"A lei ajudou. Já era uma recomendação da nutricionista não colocar sal na salada. Com a nova lei, não colocando o sal à disposição, você se acostuma a não usar. Eu criei o hábito e nem em casa eu uso sal", contou.
 
Consumo de sachês
Comerciantes de Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do estado, relataram que o uso dos sachês de sal diminuiu depois da lei.
“Daquele sachezinho, a gente gastava 3 mil por semana, hoje, gasta-se mil”, disse Ronaldo Zardo.
 
A comerciante Adilza Roncetti falou que a compra de sachês de sal pelo estabelecimento caiu pela metade.
 
“A nossa compra de sal foi pela metade. A gente comprava duas caixas de sal sachê, hoje a gente só compra uma, que dá para a semana toda. O consumo não era por necessidade, mas porque estava exposto. Hoje a pessoa almoça sem pedir nem um salzinho”, opina.
Lei
 
A lei nº10.369/2015, que proibe sal nas mesas de bares e restaurantes do Espírito Santo, entrou em vigor dia 9 de julho de 2015.  A multa por descumprimento é de R$ 1.343,55.
 
Na época, o governo do estado justificou que a proposta era uma forma de desestimular a ingestão de sal, “levando em consideração o elevado consumo de sódio pela população brasileira, sua influência na prevalência de hipertensão arterial e a importância de controlar esse consumo, o que poderá trazer consequências positivas para toda a sociedade capixaba”, diz a nota.
 
A opinião da população variava. “Acho válida. Tendo na mesa, as pessoas pegam pelo hábito. Não consumo muito sal, só o que já vem na comida. Mas vai diminuir o consumo. O pessoal é tão preguiçoso que não vai se levantar para pegar”, acredita o empresário Diego Friques, 26 anos.
 
De maneira oposta pensa o seu colega, o também empresário Luciano Santos, 24 anos. “Não vai adiantar muito porque o cliente pode pedir o sal. O número de clientes que desistem do sal é pequeno”, afirma Luciano.
 
Bares
Na avaliação do presidente do Sindicato dos Restaurantes, Bares e Similares (Sindbares), Wilson Calil, a lei vai “tumultuar bastante o funcionamento dos negócios”. “Com certeza essa obrigatoriedade vai atrasar o atendimento”, afirmou o presidente por nota.
 
O governo do Estado apontou que a proposta veio em resposta “às demandas da sociedade para adoção de ações voltadas à redução do consumo de sódio”. E acrescentou que o Sindbares pode apresentar sugestões, “que serão muito bem vindas e levadas em consideração”.
 
 
Profissionais da saúde defenderam a nova lei 
Profissionais ligados à área da saúde defenderam a lei. Eles reconhecem que ela isolada não vai diminuir o consumo, mas que, associada a outras medidas, vai ajudar na redução.
 
“Você não vai conseguir reduzir de uma hora para outra. A lei vai dar uma pequena contribuição para que, com outras, reduzam o consumo”, afirmou o fisiologista José Geraldo Mill, que coordena pesquisa sobre consumo de sal em Vitória e que serve de parâmetro para todo o país.
 
O consumo máximo diário recomendado é de cinco gramas por dia. Mas a média diária ingerida é de 11 ou 12 gramas, segundo o pesquisador.
 
O sódio é consumido em três frentes: no já existente nos alimentos, no usado para o seu preparo e no acrescentado pelos consumidores depois de pronto. “Essa lei atua em uma dessas três frentes”, reforça Geraldo Mill.
 
A nutricionista Ana Maria Bartels Rezende fez um alerta sobre consumo de alimentos industrializados, que concentram maior quantidade de sal. “Essa medida é uma das estratégias. Não é a única nem a principal, mas é uma medida importante”, disse ela, que é doutora em Saúde Pública e coordenadora do curso de Nutrição da UVV.
 
Fonte: G1

 

Leia +
Comerciante assassinado com um tiro na nuca ao lado da mulher em Anchieta
Agente penitenciário se irrita com churrasco e atira em rua do ES
Morador colhe batata doce de quase 13kg em Jacaraípe, ES
Entenda o cálculo da nova aposentadoria
Feirão online para limpar o nome tem 10 negociações por segundo
Zelador é preso suspeito de estuprar duas crianças em Cariacica, ES
INSS deve pagar 4 mil aposentados do ES após erro, diz MPF
 
 
 
 
© Copyright 2015 - Todos os direitos reservados - Rádio Piúma FM