"Não temos outra alternativa senão fazer desligamentos", diz presidente da Samarco
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O presidente da Samarco, Roberto Carvalho, afirma que as operações na unidade de Ubu estão previstas para serem retomadas em outubro, mas somente com 60% da sua capacidade produtiva, o que poderá resultar em demissões. O executivo informou ainda que não há prazo para recuperação do rio no Estado. 
Na última semana, o ICMBio confirmou, por intermédio de um laudo, que há contaminação da água, pescados e mariscos na foz do Rio Doce e entorno, principalmente por arsênio. Mas a Samarco tem afirmado o contrário.
Nosso rejeito não tem metais pesados, é totalmente inerte. Já a contaminação apontada por arsênio precisa ser melhor avaliada. Temos estudos que mostram que peixes no rio estão com nível deste metal menor do que os encontrados na foz. O que não faz sentido, porque o rio sofreu impacto maior dos rejeitos do que o mar. Não é uma questão de questionar outros estudos, mas de entender o processo, até porque a própria acumulação de metais leva tempo superior a três, cinco meses. Temos que analisar com mais critério estas questões para entender a fonte.
Há planos de recuperação para o Rio Doce no Espírito Santo?
Cerca de 85% do material que desceu da barragem está retido até a Usina de Candongas, no início do Rio Doce. Lá nós estamos começando a dragar este material, cerca de 550 mil m3, o que permitirá a usina voltar a operar. Com isto poderemos melhorar a qualidade da água. O material será transferido para um dos braços existentes na usina, onde será drenado. No local haverá um tratamento de revegetação e a intenção é fazermos parques no local. Mas a usina não voltará a operar liberando rejeitos para o rio. Isto não ocorrerá.

 

Após o acidente, esta foi a primeira semana em que os resultados de turbidez da água, na região para baixo de Aimorés, apresentou resultado abaixo de 100, nível mínimo estabelecido pela Resolução do Conama. Então, o rio está melhorando, mas projetos estão sendo estudados para quantificar e retirar o rejeito. Agora, é preciso ter cuidado porque a retirada do material, dependendo da situação, pode gerar mais impacto e isso tudo tem que ser considerado. O que está no acordo é que, onde não puder voltar a condição antes do acidente, tem que ter ações de compensação, que serão discutidas e feitas ao longo dos próximos anos. Por enquanto é muito difícil falar dessa expectativa em relação ao Espírito Santo, porque depende de uma série de fatores. As ações são para melhorar e que se tenha mais água de qualidade chegando no rio e também evitar que o rejeito continue descendo.
E as barragens ainda liberam rejeitos?
Não. O que acontece é que na região existem 3 ou 4 córregos, onde fizemos diques, para que eles não carreiem sólidos. Da barragem não desce mais material. O que é importante e que mesmo com esta cor, não há nenhuma contaminação no rio. Laudos comprovam e esta semana até um toxicologista mostrou que não existem contaminantes que impossibilitem a utilização da água do rio. Há o aspecto da cor da água, que é realmente desagradável, não temos dúvida, e quanto tempo vai levar para recuperar dependerá do volume de água boa que conseguiremos retornar para o rio.
Ainda há muita reclamação, por parte da população, que reclama por não estar sendo atendida. Quando isto será solucionado?
Estamos cadastrando as pessoa impactadas e quem tinha sua subsistência a partir do rio, para que possamos conceder o auxílio emergencial até que o rio volte as condições e elas possam retomar as suas atividades. Ao longo do rio são mais de 4 mil cartões já entregues, cada um deles carregado com um salário mínimo, mais 20% por dependente, e cesta básica. Emergencialmente é o que temos feito para que as pessoas tenham condições de aguardar e desenvolver outra atividade para seu sustento.
A Samarco não está impedida de operar em Ubu, mas depende da matéria-prima que vem de Mariana. Existe algum plano de trazer o minério de outro local?
A gente estudou isso, tem analisado algumas possibilidades, mas logisticamente é muito complexo. Nós não temos ferrovia que chega em Ubu, para trazer de navio nós não temos facilidade de descarga no nosso porto que possam viabilizar essa operação em escala econômica, o preço do minério de ferro no mercado também não está favorável a esse custo logístico mais alto. Então, a solução nossa é de receber o minério pelo mineroduto, que é a nossa solução logística que sempre foi muito eficiente, de baixo custo e dá competitividade para a Samarco.
Uma cabotagem, por exemplo, não seria viável?
Eu não tenho como chegar com um navio em Ubu, eu não tenho guindaste, por exemplo. A gente recebe carvão, que a gente usa no nosso processo, de navios que descarregam no nosso porto, mas navios já vêm com guindaste próprio e é um volume pequeno. Mas para receber minério em quantidade para operar as usinas, é muito complexo. Não tem condição. O problema não é ter outra mina para abastecer, mas a falta de logística. Mas eu tivesse minério hoje, eu poderia operar Ubu imediatamente. Ela (unidade) não tem nenhuma restrição com relação às licenças de operações.
A empresa já comentou em outras ocasiões que a partir do segundo semestre, se tudo transcorrer dentro do planejado, aconteça uma retomada das atividades em Ubu. Mas a empresa também já falou sobre a possibilidade de demissões a partir de junho. Não é incoerente a empresa trabalhar com essas duas previsões?
Na realidade quando a gente lançou mão desse recurso da suspensão do contrato de trabalho, do lay-off, nós iniciamos isso em janeiro. O acidente foi no início de novembro, imediatamente nós demos licença remunerada até o início de dezembro, depois demos férias coletivas e depois o pessoal voltou no início de janeiro e nós demos de novo licença remunerada enquanto a gente discutia esse processo de suspensão do contrato de trabalho e começamos no dia 25 de janeiro. A gente esperava que chegando ao final desses três primeiros meses a gente tivesse uma visão mais clara com relação ao retorno, mas ainda não está sendo possível. Nós estamos discutindo agora com os órgãos ambientais a questão da operação sem as barragens. Então, a gente espera que até o final de junho a gente tenha essa posição mais clara. Acho que tem condições para isso. Se nós vamos ter realmente essa operação licenciada ou não e quanto tempo vai levar.. Tecnicamente a solução não é dificil de ser implantada, de disposição de rejeitos nas cavas, que é a solução operacional que nós estamos estudando, propondo para o retorno da operação. Mas se no final de junho a gente já tem uma visão mais clara, nós vamos ter licença, vamos ter condição de voltar, aí você começa a fazer um trabalho de retomada, de ramp-up, de revisão, porque está tudo parado. Então, você tem esses três meses para preparar tudo e voltar a operar. Essa é a intenção.
De qualquer forma, não só pelo acidente em si, mas também a conjuntura do cenário econômico mundial, com minério em baixa, esse retorno não vai acontecer com uma produção e operação no nível que se tinha antes do acidente...
Não.
Então, mesmo que atenda as expectativas da operação acontecer até o final do ano, isso pode impactar na mão de obra?
Sim. Pode impactar. Porque a projeção é de retornar com 60% da capacidade, ou seja, praticamente operar com duas usinas aqui no Espírito Santo e duas de beneficiamento em Minas Gerais. O que a gente quer fazer e estamos estudando. É que nós temos grande parte dos serviços dos contratados, então a gente quer analisar onde a gente consegue reassumir com mão de obra da Samarco esses serviços para não ter que desligar nosso pessoal, nosso profissional que é capacitado, e nós vamos estar estudando alternativas para voltar o mais rápido possível com 100% da capacidade. Então, ficaria muito difícil retomar isso sem ter seu pessoal. Estamos estudando essas alternativas, primarização de algumas atividades. Mas é uma situação que realmente nos preocupa, porque nós estamos fazendo de tudo para voltar em Ubu, com a capacidade reduzida, mas se isso não acontecer, nós não temos outra alternativa senão fazer desligamentos.
Mas a proporção dos desligamentos é a mesma do retorno às operações, ou seja, menos 40% de mão de obra?
Isso tem que ser avaliado ainda. Temos que fazer essa avaliação. Porque não é matemática pura e simples, Temos que entender até quanto tempo vamos voltar para ter a capacidade total, essa questão de terceirização, de primarização. Então, tudo isso a gente precisa avaliar e por isso que a gente precisa desse tempo para saber se vai dar para voltar em outubro ou não vai dar para a gente possa fazer esse arranjo. Mas é muito difícil calcular que se eu tenho 60% (de capacidade produtiva) eu preciso 60% de mão de obra. Não é bem assim.
O cenário mundial para o setor está muito desfavorável. O preço do minério de ferro está muito ruim. Até que ponto os acionistas querem a volta da Samarco?
Desde o início a gente tem tido apoio incondicional dos acionistas. Isso ficou muito claro até no próprio acordo que assinamos. Eles dão garantias caso a Samarco não tenha condições de fazer os acordos assinados, eles vão fazer. A Samarco é muito competitiva em termos de custo. Você está certa quando diz que o cenário econômico mundial é preocupante. Já estava assim antes do acidente, mas o mercado de pelotas é diferente. É um mercado menor, é quase um nicho dentro desse mercado de minério de ferro. Então, nós temos clientes por exemplo de um processo produtivo que usa gás, de redução direta, que usa 100% de pelotas. Sempre foi um mercado muito forte da Samarco. A Samarco é o segundo maior fornecedor nesse mercado. Então, a gente precisa voltar porque essa situação econômica não está ainda tirando esses clientes do jogo. Eles são competitivos porque a industria siderúrgica ela é muita localizada e tem vários pontos ela é estratégica, as pessoas fazem todo o esforço para continuar operando, e tem uma relação muito forte comercial da Samarco com esses clientes, de quase 40 anos. A gente acredita que o mercado está esperando que a Samarco volte. Eu tenho certeza que os acionistas estão contando com esse retorno justamente por essa competitividade que a Samarco tem, esse ativo que ela tem, que é de muito valor. Essa logística, independência em termos de logística, usinas muito eficientes. Não tenho preocupação que acionistas vão deixar a Samarco de fora do mercado para influenciar a questão do mercado, não passa pela cabeça deles.

Fonte: A Gazeta

 

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