Pais madrugam nas portas de creches e escolas em Piúma em busca de vagas
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Centenas de pais estão dormindo na porta das escolas e creches em Piúma em busca de uma vaga para seus filhos. A cena é de cortar o coração. Crianças de colo, no sereno, outras no porta malas de carros, outras dormindo em colchonetes pelas calçadas, no tempo com as mães, outros sentados no chão. 
Para driblar as longas horas de espera há os que procuram passar a madrugada fria jogando dominó ou dama. Outros preferem fazer piada, ou se esticam do jeito que dá.
A Reportagem do Espírito Santo Notícias percorreu os bairros de Piúma, nesta madrugada. Foi a Creche Vovó Genoveva, no bairro Itaputanga e lá se deparou com pais comendo em marmita, outros dormindo na calçada. Em busca de vagas vale tudo.
A dona de casa, Angélica d Silva Francisco disse que chegou as 12h00, de domingo a porta da Creche para tentar uma vaga. “Eu cheguei meio porque são poucas vagas, apenas quatro, eu preciso muito dessa vaga, pois preciso trabalhar. Vou virar a noite e fico até a hora que for preciso”, salientou. 
Na Escola Célia Maria, a situação é menos pior, a escola abriu os portões e os pais estão esperando amanhecer do lado de dentro do portão, mas impedidos de usar o banheiro.
Xixi atrás do caminhão
Na Creche Menino Jesus, no Centro, mães esperam sentadas na calçada. Wandra Bourguinon chegou as 6h00 da manhã de domingo. “Eu preciso de uma vaga para meu filho de dois anos. São poucas vagas, era fácil resolver esse problema, era só colocar um segurança para ficar aqui, quem fosse chegando preenchia as vagas, de manhã os pais vinham aqui e faziam a matricula. Não precisava passar uma noite no sereno. Aqui são poucas vagas. Eu vou ficar aqui, mas é muita humilhação”, comentou. 
A dona de casa, Briana Monteiro estava indignada. “Eu vou dormir na cadeira, vou fazer xixi na rua, atrás dos caminhões. Estou me sentindo humilhada, péssima”, desabafou Briana Monteiro.
No Jardim de Infância, próximo ao Ifes dezenas de pai, mães, avós estão aguardando uma vaga e vão virar a noite. Por sorte deles uma mãe que também pleiteia uma vaga cedeu o banheiro da casa dela e uma televisão para eles se entreterem, mas dezenas de pais, mães e avós estão a espera de uma vaga sentados no chão ou deitados no meio da rua em colchões.
Filho no porta malas
Um pai de Minas Gerais foi com a família toda, um bebê dormia no porta mala do carro, a porta da escola. No cartaz afixado na parede da escola, um recado: só quem dormir na fila garante a vaga. “Tem três anos que estou morando aqui e há três anos tento conseguir uma vaga e não consigo. Surgiu essa oportunidade de dormir na fila aqui, eu vim, cheguei aqui as 20h00. Eu acho um absurdo e falta de respeito com o pessoal da cidade. Agora pra mim eu venho de fora está muito mais difícil ainda, eu não esperava por isso”, frisou o representante comercial, Bruno Sabino.
A professora Sandra Cardoso, residente no bairro Limão foi mais cedo, chegou as 8h00 da manhã. “Eu vou ficar até às 7h00. Isso é descaso, não tem necessidade da população ter de presenciar uma coisa desta no município. Ninguém tem que ficar virando noite, eu tenho filho pequeno e tenho de deixar em casa para passar por isso. Não temos nada aqui, se o vizinho não cedesse banheiro, estávamos sem água e sem nada”, disse. 
A Reportagem seguiu ao bairro Niterói e fotografou a mesma cena, pais e mães nas calçadas. Um casal de idosos também aguardam na porta da Creche vaga para o neto.
Escuridão e medo
No bairro Niterói, na porta da Escola Infantil Angela Paula Coelho Pedrosa ainda outra cena difícil de acreditar. Além dos pais não tem opção a não ser se sentar em uma calçada estreita, os dois postes em frente e ao lado da escola se encontram com as lâmpadas queimadas. O medo deles é que possa ocorrer alguma violência com eles. “Eu cheguei aqui 23h50. Estou querendo uma vaga para minha filha. Há 25 anos moro em Niterói e tenho de ficar uma noite inteira acordado para conseguir uma vaga para minha filha. Isso é o retrato de uma calamidade, tem pais aqui que terão de trabalhar segunda, e vão ficar para buscar uma vaga, algo que é nosso direito. Outro problema aqui é a escuridão, de vez em quando passam pessoas estranhas, a vantagem aqui é que tem pais também e não só mãe. Eu não deixei minha esposa para cá com medo, nosso bairro não tem segurança nenhuma, dois postes em frente à escola com a luz apagada”, comentou o mecânico Leandro Bodarte.
Cortinado e sombrinha
No bairro Céu Azul, a Reportagem se deparou com uma mãe que estava com a filha no colo na porta da creche. Ela levou um cortinado, um colchão, uma sombrinha para tentar proteger o bebê do sereno. Cenas da realidade da grande demanda por vagas em creches e a quantidade reduzida de vagas. “Eu trouxe cortinado, colchão e sombrinha e meu bebê de 10 meses, estou aqui. Eu preciso de uma vaga para minha filha de dois anos e sete meses. Eu cheguei aqui às 18h30 de domingo. Como moradora do bairro me sinto indignada com essa situação, chegar as 18h00 e ficar até no dia seguinte para conseguir uma ficha, é muito desagradável”, disse Rosilaine Teixeira Braga, do lar.
No bairro Portinho, os pais para passar o tempo estão jogando dama, mas estão certos de que, se não ficarem até a 7h00 da segunda-feira, 14, não vão conseguir garantir uma vaga aos filhos.
Conselho
Um dos membros do Conselho da Criança e do Adolescente de Piúma, estava na porta da Creche Vovó Genoveva, Roberto das Neves de Souza também na busca por vagas para os filhos. “Nós já solicitamos a construção de um centro de Educação Infantil, mas nada. Pelo Estatuto da Criança e do Adolescente por lei é direito que as crianças tenham vagas nas creches e nas escolas do Ensino Fundamental, mas aqui em Piúma tem casos que tem de parar na justiça para conseguir. Eu vou ficar aqui até conseguir uma vaga, desde o ano passado e não saiu. Esse ano eu tentei para a menina de um ano, mas a diretora disse que tinha de dormir na fila. Eu vou ficar, estou aqui desde as 20h00”.
A Reportagem vai ouvir o secretário de Educação de Piúma, Geovane Bidim para saber se esses pais terão as vagas garantidas e o que pretende fazer para evitar que esses constrangimentos voltem a ocorrer em Piúma.
 
 
Fonte: Espirito Santo Noticias
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