Samarco terá que resgatar peixes do Rio Doce
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A Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos quer que a mineradora recolha da água a maior quantidade possível de peixes, insira-os em tanques apropriados e, posteriormente, solte-os novamente no rio , assim que o nível de poluição deixar de ser uma ameaça às espécies.
O secretário da pasta, Rodrigo Júdice, garante que essa operação é viável, mesmo que uma quantidade mínima de espécies seja resgatada. “Tem que ser uma atitude imediata. Os peixes estão tentando sobreviver desesperadamente. Muitos pulando fora da água. O mínimo que for salvo é muito, diante dessa tragédia ambiental”, destaca.
Estima-se que a enxurrada, que é muito densa, tem se movido a uma velocidade de 1km/h. O prefeito de Baixo Guandu, Neto Barros, também defende a viabilidade do resgate dos peixes antes que a onda de lama se aproxime do Espírito Santo. “A lama é avermelhada e tem um cheiro horrível, sem vida. Os peixes devem ser coletados antes que morram todos. Ainda dá tempo de salvar alguma coisa”, afirmou o chefe do executivo, que visitou a região de Valadares e Tumiritinga, ontem, para ver de perto onde a massa lama.
Destruição
Por onde passa, a enxurrada de lama deixa um severo rastro de destruição ambiental. O biólogo Marco Bravo ressalta que, além da mortandade, a lama deve desencadear uma série de problemas na cadeia alimentar do rio e do mar, causando até o sumiço de algumas espécies. “Quando essa lama chegar em Regência, Linhares, há peixes endêmicos que vivem no estuário (encontro do rio com o mar), como tipos de robalo, que vão sofrer o impacto”, diz.
O secretário Rodrigo Júdice alerta também que a onda poluidora afeta diretamente as comunidades pesqueiras, que vivem às margens do Doce e dependem da atividade para sobreviver. Uma delas é a de Mascarenhas, onde mais de 700 moradores dependem, direta ou indiretamente, da pesca. “A Samarco também deverá indenizar quem ficar impossibilitado de pescar”.
Outro lado
Samarco diz que realiza ações
Por nota, a Samarco informou que recebeu o auto de intimação do Iema no último domingo e que está tomando as providências relacionadas no documento. Reiterou que as ações imediatas já foram iniciadas e as demais estão sendo executadas dentro do prazo estabelecido. “Até o momento, a empresa não foi notificada por nenhum descumprimento.” A distribuição de água para Colatina e Baixo Guandu foi iniciada na segunda, além de disponibilizar uma aeronave. Executa, em conjunto com o Iema, um plano de monitoramento e realiza ações integradas com órgãos estaduais e municipais.
Fonte: Gazeta Online

 

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